Neste ano, resolvi me alienar totalmente da política. Pelos últimos três meses, não liguei a TV, não frequentei nenhuma rede social e não entrei em nenhum debate político.
O máximo que tive de contato com a política foram algumas discussões nas salas dos professores entre candidatos dos dois lados. Acenava, dava risada e estava tudo certo. Em momento algum segui a lógica do partido X ou Y, e o máximo que me ocorreu de negativo foi dizer em um grupo que eu iria me isentar e, somente por isso, levei um ban. (Afinal de contas, você não pode pensar diferente da maioria em grupos com uma única voz política).
Por um lado, você deve estar pensando que sou um egocêntrico privilegiado, sem interesse em pautas democráticas, em minorias, em leis, em pobres... e, realmente, nestes três meses, fiz-me passar por este personagem. Gerou-me menos problemas, menos estresse e foi ótimo para mim. Posso ser um “privilegiado” por não me importar com temas políticos mesmo, mas, este ano, decidi que os outros decidissem por mim.
Nos últimos três meses, fiz várias provas importantes, terminei duas pós-graduações, uma graduação e trabalhei 10 horas por dia. Restavam-me duas horas diárias de tempo livre após trabalhar das 7 da manhã às 6:30 da tarde, e realmente eu não tinha a mínima cabeça para gastar meu tempo livre com o tema política. Comer e descansar do trabalho eram sempre prioridade. E a outra prioridade era reduzir meus níveis de cortisol e adrenalina ao me revoltar com um post contrário ao que penso.
Decidiram pelo Lula e eu estava tão desligado que, se decidissem pelo outro candidato, por mim tanto fazia. Este país não tem jeito mesmo. Hoje foco no meu trabalho, no meu ganha-pão, na minha educação e em possibilidades de melhoria de vida estabelecidas por mim e não por um político de estimação. Ficar horas do dia em redes discutindo o sexo dos anjos, sendo que nunca participei de reais discussões políticas no executivo, legislativo e judiciário porque literalmente são esferas de influência que não possuo e onde não tenho poder de decisão, acho um pouco de mau uso do tempo.
Mas escolheram um dos dois. Que bom que a democracia venceu e que respeitam, ou deveriam respeitar, os 20% de votos não válidos que tivemos no primeiro turno, além dos mais de 5 milhões de isentos (brancos e nulos) e 30 milhões de abstenções no segundo turno. Aos votantes, que lutem pelo meu direito de não participar deste circo.
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