Já estudei kanji e acredito que seja a parte mais desafiadora do aprendizado da língua japonesa. Saber a ordem dos traços e ainda saber utilizar o mesmo ideograma em situações diferentes é muito difícil, muito mesmo. Ler tudo isso rapidamente é para poucos.
Quando estudei, eu sabia usar cerca de 500 kanjis e reconhecia cerca de 1.000. Era interessante, porém saber que levei 3 anos e provavelmente tinha completado só 20% do percurso me desanimava um pouco.
O estudo de kanji é diário e a exposição à língua deve ser contínua. Uma semana de “descanso” de kanji faz você retroceder muito em pouco tempo. É um aprendizado constante, sendo muito mais fácil aprender sob condições de exposição a kanjis no dia a dia. Mas morar no Japão para aprender japonês é algo que não posso fazer agora.
Então a solução é o YouTube, a exposição de leitura em vídeos japoneses com legendas em japonês. Habituar-se com os ideogramas a ponto de reconhecê-los imediatamente. Eu digo a você que o dia em que conseguir assistir a um filme inteiro com legendas em japonês estarei realizado, pois as legendas correm muito rápido.
Para estudar kanji, estou usando este livro aqui. É o método Heisig clássico traduzido para o português. Todos os que estudam a língua já passaram pelo método RTK (Remembering the Kanji). É o mais eficaz para memorizar significados através da mnemônica. Desta vez não focarei em aprender a ordem dos traços, pois escrever não é meu objetivo na língua, quero só conseguir ler.
E conseguir ler japonês é muito foda, simplesmente uma das coisas mais fodas que conheço. Ler uma língua em uma escrita totalmente diferente da sua língua materna deve causar mudanças substanciais no cérebro. É difícil, é demorado, mas é a prova de que a neuroplasticidade neural existe e de que a resiliência e a repetição fornecem a base para a compreensão de uma língua estrangeira.
A meta para mim, inicialmente, é chegar ao N3 do JLPT, a prova de proficiência japonesa. Este nível é o intermediário, alcançável após 4 ou 5 anos de estudo. Eu atualmente possuo o N4, o básico (são 5 níveis, sendo o 5 o elementar e o 1 a proficiência). Conseguir passar para o N3 me possibilitaria viajar ao Japão e me comunicar em situações básicas sem grandes problemas.
E, depois que eu fizer o N3 e viajar para o Japão a passeio, vou me preparar para o N2. O N1 não é um objetivo pessoal meu: exige muito esforço para uma condição de fluência que vai além do meu uso prático. É para quem quer estudar e trabalhar no Japão, o que não é o meu caso. Mas eu gostaria de realizar um curso de 1 mês em Tóquio, no Japão, antes de prestar o N2. Seria o ideal para mim e a realização de um sonho.
Este processo leva tempo, anos, e exige estudo constante. Vale a pena? Não sei, isso é muito pessoal. Há quem queira viver a vida estudando e se preparando para algo difícil; outros preferem uma dopamina barata na internet ou consumir algo fácil e “mastigado” em sua própria língua. São estruturas diferentes de pensamento: uma baseada no esforço e outra baseada em uma condição de mínima dificuldade.
Então vou estudar: são 2 anos para aprender os 2.200 kanjis principais. Estou aprendendo 3 por dia. Penso em pegar 3 novos kanjis por dia e de 2 a 3 palavras de vocabulário que utilizam aquele kanji. Usar o Anki. Sei que ocorrem mais, mas decorar 3 kanjis e 10 palavras por kanji por dia daria 33 coisas por dia para lembrar, o que já é um nível absurdo demais e que em uma semana escalaria para mais de 200 novos termos para lembrar. Vamos com calma.
Irei documentar todo domingo o que aprendi na semana aqui no blog, na tag “Japonês”. É o meu registro de aprendizado. Vai levar 2 anos, tudo bem, vamos com calma. Este processo é só para identificar kanjis e significados, não é para ler fluente ou usar gramática. É o processo mais simples e lento. Depois eu foco nos livros de gramática. Por enquanto, meu foco é reconhecer o significado dos 2.200 ideogramas japoneses que estão no livro, e vou aos poucos; um dia consigo atingir meus objetivos.