De PHD a professor substituto - Uma lição sobre status

25/09/2026 YouTube

Hoje assisti a este vídeo e me interessei bastante pelo tópico. Escrevo isto em um misto de resumo com comentários pessoais. Achei a abordagem do autor muito boa e concisa, e é um vídeo que vale a pena assistir se você quer refletir mais sobre status, trabalho e sua vida.

O autor fala de sua experiência ensinando temas complexos com fósseis e o descaso de alunos do oitavo ano, os quais inclusive desenharam um pênis com caneta permanente em seu fóssil de 510 milhões de anos. Esta contextualização mostra a realidade de um professor substituto que ganha 160 dólares por dia, o que resulta em algo entre 30 e 40 mil dólares ao ano, dependendo do cálculo (um salário baixo mesmo para o padrão dos Estados Unidos).

A introdução é seguida pela apresentação da formação do professor, PhD em paleontologia em universidades ilustres dos Estados Unidos, que já ministrou palestras importantes e é especialista na área. O autor não entra em detalhes sobre o motivo de sua redução salarial e de cargo, mas é claro que hoje ele não possui o status que já teve no meio acadêmico.

Eu conheço alguns doutores em grupos de pesquisa da universidade em que já trabalhei que, em relação à remuneração, recebem praticamente a metade do que eu recebo dando minhas aulas como professor no estado. Vivem de uma bolsa de pós-doutorado de três salários mínimos e de um "status" dentro da universidade. Trabalhar no ensino público básico fora da universidade e conquistar entre cinco e seis salários mínimos não é raro. "Mas aí você é só um professorzinho de escola, e não um pós-doutor dando palestras em eventos científicos" (ganhando metade do que ganha um professor de nível básico e atuando como doutor ainda não efetivado, mas tudo bem...).

Voltando ao vídeo, há uma fala sobre status e posições de status, delimitando algumas formas de status contextual:

Você pode ser bom em uma dessas formas e ruim nas outras. Dependendo do contexto, um tipo é mais importante do que o outro e lhe dá acessos que os demais não permitem.

"O que os outros pensam sobre mim não é de meu interesse."

O autor apresenta uma situação em que pesquisou sobre um colega do ensino médio e descobriu que hoje ele é empresário em uma grande empresa. Isso o deixou abalado, considerando que ambos estavam na mesma realidade no passado.

Quem nunca fez isso? Conversar com alguém décadas depois e notar que a pessoa aparenta estar em uma condição melhor, seja social, econômica, de relacionamento, de trabalho, moradia ou estudos...

Depois, o autor entra em discussões sobre o modo de vida de seus pais e como isso influencia em suas decisões hoje: uma mãe relativamente rica, mas que vive uma vida frugal ao extremo; e um pai que era da universidade e morreu tendo as fraldas trocadas, segundo o vídeo.

Essas reflexões sobre o fim da vida e o fato de o status ser irrelevante em certas situações são clássicas em descrições sobre a finitude humana. Tudo o que está relacionado a objetivos de vida, funções sociais e interesses se esvai com a idade e com as necessidades dos idosos. A doença surge, assim como as dificuldades. Ser um PhD não interessa mais quando a sua fralda é trocada por um enfermeiro devido à incontinência urinária.

"O jogo só acaba quando você para de jogar."

Acho interessante essa frase, que pode ser utilizada em múltiplos contextos. O status só acaba quando você deixa de se importar com ele. E acredito que essa libertação dos vínculos e das amarras (seja em questões pessoais de status ou de relacionamentos, ou até mesmo de ideias e projetos pessoais ou de trabalho) só ocorre quando eu me permito. E posso antecipar esse fim, abandonando e saindo do jogo antes, sempre.

Ao final do vídeo, o autor fala sobre a famosa carteirada:

"Você sabe quem eu sou?"

Eu tenho uma postura simples sobre isso: não importa quem eu sou, mas sim as ações que posso desempenhar da forma que desejo desempenhar. Você sabe que eu sou um PhD renomado? Neste contexto escolar, ele é só um professor substituto. Porém, sua influência ainda se mantém vinculada às funções que já desempenhou. Acredito que dar a carteirada do "Você sabe quem eu sou?" é irrelevante em todos os contextos. Apresentar-se como professor substituto, e não como doutor, é o mais correto, ainda mais em um ambiente que o depreciaria por ter reduzido seu status acadêmico.

Ao final do vídeo, percebi que ele me trouxe boas reflexões sobre status, nossas necessidades ao longo da vida, como balancear o status e quais são os seus parâmetros e métricas. E sim, trouxe o ponto de que tudo isso nem faz sentido com a aproximação da morte. De nada adiantam os seus contatos, o seu conhecimento e as suas posses quando se está com uma doença degenerativa na proximidade do óbito.

Hoje acredito que, dentro dos parâmetros do autor, enquanto estivermos vivos e ativos, há uma necessidade de manter o que ele considera status, mas viver para essas atribuições e acreditar que elas o definem é um tiro no pé. Ao final da vida, pouco importa toda essa preocupação com a visão do outro, com o que tenho, com o que fiz e com os símbolos que carrego, como postos e empregos em que estive. Ao final da vida, nada disso importa mais. No entanto, enquanto estamos jogando o jogo, há de se dar algum valor a pontos específicos do status, mesmo sabendo que tudo se altera e pode mudar em relação a essas quatro categorias que o autor defende.

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