Ultimamente não tenho lido, ouvido, assistido ou jogado absolutamente nada.
Inicialmente, neste ano, criei uma forma diferente de consumo midiático. Não gosto muito da palavra consumo para isto, mas você entendeu a mensagem. Não tenho muitas pessoas para debater o que aparece em minha vida. Isto reduziu significativamente meu interesse por elas, a ponto de hoje eu conseguir passar os finais de semana olhando para o teto ao invés de ler ou assistir a algo.
Realmente não me importo mais com mídias no geral. Mesmo. Não falo brincando: hoje eu não vou atrás de novos títulos para ler, ouvir ou jogar, e assistir é algo que realmente não me interessa. Não vejo TV, séries ou filmes há pelo menos oito anos. Desde que fui morar sozinho, em 2018, aboli a mídia na forma de audiovisual da minha vida. Neste ano, resolvi assistir a um filme de duas horas e levei quatro dias para tal, assistindo de meia em meia hora. Não é uma mídia pela qual eu consiga me interessar.
Livros, então... Se este ano li dez livros, foi muito. Perdi o interesse no geral por narrativas, personagens e mundos imaginários. Livros já foram minha mídia principal por uma época; hoje não pesquiso mais a respeito, não busco novidades e, mesmo sabendo que há milhares de livros pelos quais eu posso me interessar, não quero ler nada mesmo.
Jogos: mesma coisa. Coloco para rodar o jogo, jogo por meia hora e já me pergunto o porquê de eu estar ali apertando botões e olhando para uma tela. Não me entenda mal, eu tenho centenas de jogos adquiridos que ainda não joguei. Não me falta acesso, falta-me interesse em progredir nos jogos, em querer ir até o final em algo.
Músicas eu ainda ouço, uma coisa ou outra, como pano de fundo. Mas buscar artistas, pesquisar, encontrar novas bandas ou entender gêneros musicais... Não faço isto há anos.
E, com meu tempo livre hoje, fico do WhatsApp para o xadrez online, para algumas músicas... Resolvo meus problemas, estudo o que preciso para resolver mais problemas e consigo facilmente ficar um final de semana inteiro sem computador, sem celular e sem estímulos de qualquer grau. Eu só pego um copo d'água, sento debaixo do sol e reflito sobre a vida. Sobre a vida mesmo, e não sobre personagens fictícios.
De certa forma, é uma abordagem peculiar. Hoje, entre outros desafios que tenho, o de me desvincular de computadores é o que mais me vem à mente. Da TV eu já me despluguei (estilo plug da Matrix na nuca); agora quero me desplugar do PC e utilizá-lo moderadamente, só para o trabalho. Mas diversão prefiro encontrar em outras coisas. Há como simplificar, e os cortes nas mídias são um sintoma de resoluções que venho tomando há pelo menos oito anos.
Uma vida com pouco ou nenhum acesso à internet. Um mundo com menos tranqueiras para eu me preocupar. Sem audiovisual, para alguns, é a morte na Terra; o povo é muito dependente de interação e excitação. Como hoje a interação se tornou mais digital que física, o que resta é a excitação das mídias.
Antes do século XX, antes do rádio e da TV, senão pelos livros, não havia muito a se consumir. Hoje estamos imersos em um ambiente de consumo com o qual nossos bisavós nem sonhariam. Tudo é um gatilho para comprar algo ou um estímulo para te afastar da realidade. Enquanto estamos consumindo, não estamos refletindo e não estamos criando. Podemos nos basear em inúmeros referenciais midiáticos, mas, na realidade, sem eles muitas pessoas não são nada, não conseguem delinear sua realidade pessoal. Acho problemático, mas o mundo não funciona na minha velocidade: tudo é mais rápido que o normal.
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