Hobbies

04/08/2026 TAGs

SELO BEDA

Hobbies

Primeiramente, vou deixar minha definição de hobby:

“Um hobby é uma atividade de lazer realizada no tempo livre por puro prazer, diversão e relaxamento, sem nenhuma obrigação profissional ou cobrança por resultados financeiros.”

Montei esta definição misturando algumas definições online e de dicionários.

Então é isto: você faz a atividade porque gosta, sem obrigatoriedades financeiras e sem necessariamente querer se tornar um profissional ou ter alto desempenho naquela atividade.

Hoje tenho hobbies aos quais não me dedico muito, pois não quero nenhum resultado; tenho hobbies com um maior grau de dedicação e alguns nos quais quero ser bom, mas sem pensar em me profissionalizar. Acho que envolver dinheiro em um hobby o transforma em trabalho e, ao meu ver, trabalho e hobbies são extremos opostos.

Músicas

Eu já fui um colecionador de MP3 e de CDs físicos. Em minha casa tínhamos praticamente 500 CDs acumulados por 20 anos de aquisições. Entre 2004 e 2014, por 10 anos baixei MP3. Eu tinha cerca de 100 GB de arquivos nessa época e ouvia tudo: descobria álbuns, utilizava o Last.fm para catalogar tudo... era uma boa época.

De 2014 a 2026 assinei o Spotify. Com o Spotify era mais fácil montar listas e não precisava correr atrás de MP3 online. Mas eu não me sentia dono dos meus arquivos, e para uso offline era um pouco burocrático de usar. Em 2026, voltei aos meus arquivos digitais: fiz um top 100 de artistas que gostaria de ter e baixei algumas coletâneas de gêneros que gosto. São 250 GB de músicas, mais de 20 mil faixas.

Hoje ouço música com calma, offline, em qualquer lugar. Parte dos meus discos eu ripei da coleção física, parte eu até comprei em sites como o Bandcamp, parte são músicas gratuitas, mas eu diria a você que 70% peguei pelo Soulseek. Tenho as discografias completas dos meus 100 artistas favoritos.

Me importo em ser um crítico analista de música, comparar discos, dar nota, fazer resenhas elaboradas, compreender as letras, as nuances e as metáforas? Não.

Só deixo a música de fundo enquanto uso o computador, e está tudo bem. Não é um hobby que me faz buscar as últimas novidades. Só com o que eu tenho, consigo ouvir música por anos sem repetir. Está ótimo assim. Não quero me aventurar por discos de vinil ou por CDs analógicos; não me interessa a mídia, só o conteúdo, e eu o uso como pano de fundo, sem uma análise crítica minuciosa.

Então, ouvir música é uma atividade secundária. Não é um hobby no qual preciso estar ativamente buscando conteúdo para ouvir ou seguindo novas bandas. Ouço o que tenho e me conformo assim.

Livros

Leitura é algo mais abrangente; faço sempre, diariamente, em vários níveis de complexidade. Já os livros, e principalmente a literatura, são coisas que venho reduzindo ano a ano. Ainda tenho cerca de 50 títulos não lidos nas minhas estantes. E ultimamente, nos últimos 5 anos, prezei muito por não ficção e livros técnicos em prol da literatura.

Eu leio, mas não sou um crítico literário, não busco uma profundidade excessiva, não quero entender poemas, algumas temáticas me fazem revirar os olhos, livros “difíceis” não são para mim e, no geral, leio menos de 10 títulos de literatura ao ano. Em contraste com a não ficção, na qual leio mais de 10 livros anuais, sem dúvidas.

Minha média mensal é de 2 a 3 livros (no máximo 3 livros no mês, nunca mais do que isso); consigo ler um livro entre 10 e 15 dias na maioria das vezes. Mas não corro contra o tempo: acredito que a constância de ler um pouco todo dia vence uma situação em que a pessoa se debruça sobre uma leitura por várias horas e termina um livro em um final de semana.

Hoje não busco novos livros, não fico seguindo canais sobre livros, e abomino tudo o que está no “meta” da leitura e da literatura. Às vezes pego livros esquecidos na biblioteca, aqueles que não são famosos, só para ler algo novo. Não gosto do fato de termos uns 2 mil livros “padrão” que são sempre as mesmas recomendações repetidamente. Gosto de explorar coisas novas, mesmo que não sejam obras-primas ou trends de redes sociais.

Caminhada

Bom, é basicamente andar. Ando todo dia para ir ao trabalho e, quando tenho vontade, também ando na praia. Minha rotina de caminhadas é de uma média de 5 a 7 km por dia.

Eu gosto de caminhadas sem música, só pensando sobre temas para postar no blog, pensando em como resolver alguns problemas pessoais, fazendo listas mentais, simulando discussões e conversas, estruturando aulas para dar na escola, coletando exemplos e, principalmente, ligando os pontos entre o que assisto, leio, jogo e ouço.

Caminhar, para mim, é um momento de reflexão muito bom. Muito do que eu produzo eu estipulo mentalmente nestes 50 minutos em que vou andando para o trabalho e no retorno para casa. Além da parte motora e de condicionamento físico (que é mínima, mas andar 7 km por dia é melhor que nada), a parte mental é a que mais me interessa. É um tempo em que não estou consumindo, mas sim ruminando ideias.

Não quero ser um profissional da caminhada e não quero começar a correr, pois a corrida me impediria de ter a reflexão que tenho nas caminhadas. É um hobby ótimo e, sem ele, provavelmente este blog nem existiria.

Video games

Este hobby me acompanha desde os 5 anos de idade. Sempre joguei. No passado ele era mais comum: jogava de 20 a 30 horas semanais até meus 26 anos. Dos 26 aos 36, reduzi para cerca de 10 horas semanais. E hoje, com 38 anos, devo jogar menos de 5 horas semanais.

Para te falar a verdade, o tempo que dedico a este hobby é bem variado. Um bom jogo pode me prender por semanas jogando de 5 a 10 horas semanais. Um ótimo jogo pode me fazer jogar mais do que isso. No entanto, hoje estou enferrujado. Gosto de jogar, mas algumas horas me bastam; não consigo mais ficar o dia inteiro na frente de um videogame. Uma a duas horas por sessão diária é o meu limite atualmente.

Novamente, não fico acompanhando todo o “meta” deste hobby: acho que há um consumo excessivo e um marketing muito forte. Canais do YouTube mais discutem os jogos do que realmente os jogam. Chega a um ponto em que você mais lê ou assiste a notícias sobre jogos do que realmente joga. Acho que seguir conteúdo de games é um desserviço a si mesmo e algo que o impede de jogar mais.

Xadrez

Se você acompanha meu blog, já deve saber que jogo xadrez online. Este mês joguei 193 partidas, o que resulta em 6 a 7 partidas por dia. Considerando que jogo partidas de 20 minutos e de 10 minutos no total, eu diria que jogo em média 1 hora e meia de xadrez por dia.

Eu jogo no computador, usualmente ouvindo música, podcasts ou com um vídeo do YouTube ligado. Tento escolher vídeos dos quais só preciso ouvir o áudio para não me atrapalhar visualmente.

É um hobby de que gosto, pois ajuda a resolver problemas por múltiplas variantes. O jogo é bem criativo e jogar bem requer um conhecimento absurdo sobre as possibilidades e sobre como responder a posições. Ajuda a ser mais analítico e mais assertivo na vida.

Hoje, meu ranking no site me coloca entre os 10% melhores da plataforma. Já cheguei a fazer parte dos 3% melhores na modalidade rápida, mas meu ranking caiu e não se manteve. Ou seja, hoje, se colocarem 10 jogadores do site para jogar comigo de forma aleatória, tenho plenas condições de vencer 9 deles. Não é um nível “mestre” oficial — acredito que um ranking equivalente a mestre seja estar no 1% melhor do site —, mas vou jogando e evoluindo; talvez um dia eu chegue lá.

Pen Pals

Troca de cartas e e-mails. Troco cartas desde 2011 com pessoas que encontro online. Nestes 15 anos, me comuniquei com mais de 150 pessoas de mais de 30 países diferentes. Em geral, me comunico em inglês, redigindo e-mails longos de 5 a 10 parágrafos, usualmente em uma frequência quinzenal.

Já cheguei a ter 10 pen pals simultâneos, mas hoje só tenho 3. Escrevo os e-mails em inglês e vou sendo corrigido pelo corretor automático do Gmail. Esse processo melhorou substancialmente minha escrita em inglês desde 2011. Hoje escrevo de outra forma após milhares de mensagens trocadas nestes anos.

Além da melhoria do inglês e da escrita, o hobby proporciona uma viagem para o íntimo de outras pessoas pelo mundo. Culturas diferentes, ideias incomuns, conhecimento real sendo formado por uma interação textual entre dois estranhos.

Já tive problemas com alguns pen pals, principalmente na Índia, África Subsaariana e países árabes. Normalmente as conversas duram de 3 a 6 meses, mas já tive alguns contatos com quem troquei e-mails por mais de 5 anos continuamente. É um hobby muito interessante e que recomendo a todos que queiram se comunicar com estrangeiros e gostem de escrever textos longos. Funciona como uma terapia para mim.

Além disso, já troquei cartas físicas, cerca de 15 ou 20. Mas abandonei a prática porque o sistema de Correios acaba perdendo cartas e, infelizmente, uma carta perdida é uma informação que não chegará ao destinatário. Se o nosso sistema postal fosse menos voltado para pacotes e tivesse o mesmo cuidado com cartas, eu certamente continuaria. Na carta física, a escrita é mais pessoal, demoram mais para serem escritas e há custos adicionais de envio. Mas vale a pena.

YouTube e Blogs

Tento me expressar digitalmente em meu canal do YouTube e no meu blog, além da minha página pessoal. Estou iniciando nos blogs em 2026; já tive blogs privados, mas este hospedado no GitHub é o primeiro público que mantenho.

O canal do YouTube nunca fez muito sucesso: os vídeos que eu gerava não eram interessantes e, principalmente, não resolviam os problemas do espectador. Eram vlogs de 20 a 30 minutos sobre tópicos dos quais eu gostava de conversar a respeito.

No geral, meu canal do YouTube fracassou. Não acho que as mudanças na plataforma desde 2005 tenham sido benéficas. Hoje vejo muita inteligência artificial sendo usada de forma exagerada e persistente. Ao meu ver, tornou-se uma rede popular ao estilo do Facebook e, automaticamente, ficou difícil achar conteúdo relevante e autêntico. Tudo é comercial, tudo são métricas.

Já em relação aos blogs, não quero ser lido por tudo e por todos: se 5 pessoas acompanharem meus posts, já fico lisonjeado. Isto aqui é um registro meu, para que no futuro, daqui a 30 ou 40 anos, eu possa ler e olhar para trás para ver o que eu pensava, como eu pensava, e os erros e acertos que cometi.

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