Esta é uma história de sexo, drogas, rock and roll e muita geologia!
Quando eu tinha 19 anos, resolvi ir com um grupo de colegas da Geologia para o Encontro Nacional de Estudantes de Geologia (ENEGEO), a ser realizado na Chapada dos Guimarães, em 2007. Um evento que reunia estudantes de geologia de todo o Brasil.
Nós nos reunimos e alugamos uma van com motoristas totalmente noiados usando rebite para nos levar até lá. Sim, fomos de uma só vez: de Curitiba a Cuiabá, várias horas de viagem em uma van com motoristas drogados.
Ah, nós estávamos drogados também. Eu consegui, por algum milagre e muita resistência, não fumar e não cheirar nada, mas levamos conosco um estoque vitalício de cachaça Luiz Alves diluída em garrafas de água. Basicamente, durante os vários dias do evento, eu não tomei água, somente água batizada com cachaça de baixa qualidade.
Lembro que chegamos ao local, que era um camping. Levei uma barraca, montei-a e não tínhamos muito acesso a comida por lá. Na real, nem banho tínhamos, então o fedor era grande, mas tudo bem: era o espírito de aventura que movia a todos.
Em 2007 nem existia smartphone nem nada, tudo era feito sem muito controle. Levei um punhado de dinheiro na carteira, que era pouco, e fui economizando, pelo menos para poder comer algo. Havia festas todas as noites, e todos estavam constantemente noiados durante os vários dias do evento. Dia ou noite, ninguém estava em condições normais.
O local onde ficamos ficava a cerca de 900 metros da entrada da pacata cidade de Chapada dos Guimarães. A cidade tinha uma pracinha, alguns restaurantes, uma igreja e, no geral, era só isso. Também havia alguns bares. Não lembro de muita coisa, realmente não lembro de muita coisa.
Lá pelo terceiro dia, descobrimos uma cachoeira que ficava a cerca de 3 km do camping. Comprei um sabonete e tomei meu primeiro banho, de rio, após uns 5 dias sem lavar o corpo.
Também fomos para o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães pegando carona com pessoas esquisitas. Fui duas vezes ao parque nacional. Lembro-me de ter descido uma trilha e me banhado na cachoeira principal do parque. Também me lembro de termos nos perdido em algumas trilhas e realmente termos ficado um pouco desesperados. Mas conseguimos voltar.
Ah, não tomei um gole de água “normal” durante os 7 dias do evento, somente água batizada.
Em outro dia, pegamos a van e fomos até um local com uma vista espetacular: o topo da Chapada. Foi uma ótima experiência. Um ótimo pôr do sol.
Correu tudo bem e voltamos para casa vivos, com os motoristas dirigindo drogados novamente.
Foi uma experiência única; eu nunca faria isso novamente. Não me lembro de muito do que ocorreu nesses dias, mas lembro de ter uma barraca, muita cachaça e de ficar sem comer e tomar banho por dias. Isso sem contar as raves que aconteciam por lá, enquanto eu preferia tentar dormir, o que era bem complexo.
“A geologia é foda pra caralho, ia ia ô!”
“Traga traga mais cachaça, traga traga mais cachaça...”
“...Pra eu me embebedar!!"
“E a noite vai rolar a putaria, vamos fazer o bacanal da geologia..."
“...a cachaça vai rolar de garrafa em garrafão, bebemos em ação!!"
“O ENEGEO NÃO ACABA NUNCA!!”
Achei alguns vídeos sobre o evento aqui, veja por sua própria conta e risco: