Árida: Backlands Awakening é um jogo brasileiro desenvolvido pelo estúdio AOCA Game Lab, lançado em 2019 e disponível para PC e Mobile. Peguei esse jogo sem pretensões, mas me surpreendeu positivamente. Nele, você joga com a personagem Cícera, uma menina de 13 anos no sertão baiano no final do século XIX. O jogo cita Canudos e as migrações internas que ocorriam em busca de melhores condições de vida para o sertanejo.
As dinâmicas do jogo são simples. Você tem uma barra de comida e uma barra de sede; caso alguma chegue a zero, você morre. É um jogo survival com craft, ou seja, você irá coletar plantas, alimentos, animais e ovos no caminho, podendo abrir fogueiras e armadilhas para cozinhar e coletar mais presas. O jogo é uma incessante briga contra suas barrinhas de sede e fome. Também há equipamentos que você precisa amolar com pedras encontradas pelo caminho: uma enxada e um facão.
A história do jogo é simples, com um sistema clássico de missões de RPG. Vá a tal lugar e colete isso, encontre 4 animais, prepare um chá com as folhas de certa árvore, volte para casa para enviar uma mensagem, desbrave o deserto, etc. As missões são simples e fáceis de resolver, não havendo nenhum puzzle complexo nem combinações difíceis de itens.
Existem alguns personagens no meio do caminho: um padre, uma moça albina, uma beata, seu avô... Poucos personagens, mas o artbook do jogo revela que poderiam ter sido explorados mais temas com novos personagens que foram abandonados na versão final do jogo.
O jogo tem um mapa simplificado que localiza os oratórios, pontos de save e as caçimbas, local para coletar água com suas cabaças. A água é rara no jogo e não se recupera; é um recurso escasso que deve ser utilizado na cozinha ou para beber diretamente e recuperar a sede. Também é possível criar água de mandacaru, o famoso cacto do semiárido.
O jogo dura em média 2 horas, tem uma história quase nula e uma jogabilidade interessante, mas um tanto repetitiva. O sistema de craft é bom, mas devido à limitação de água no jogo, nem tudo é de fácil acesso. Sucos requerem água e frutas de árvores; assar mandioca, jerimum e milho requer água. Comidas mais avançadas, como rapadura e bolo do frade, podem ser encontradas em caçuás, cestos com mantimentos espalhados pelo cenário.
Além da sobrevivência, existem também itens colecionáveis espalhados pelo jogo: caixas que se abrem com o facão. Estas caixas ficam escondidas e revelam partes da história através de itens de época.
Por fim, achei o jogo interessante, mas com alguns problemas. Vi bugs com armadilhas, conquistas da Steam que não eram liberadas, dificuldades de interface e problemas diversos que um jogo indie desse calibre não devia ter.
Terminei o jogo 3 vezes, fiz as conquistas e recomendo o jogo, mas não é nenhum blockbuster que irá mudar sua vida. A ambientação é muito boa, a proposta de recriar o sertão foi bem executada, mas não é um jogo marcante e dificilmente irei rejogar depois de ter feito 100% nele.
E Árida 2 vem por aí, a continuação da história de Cícera, acho que será lançado em 2027. No aguardo, jogarei.