Apelidos da vida, tive vários; alguns vingaram, outros foram passageiros.
O primeiro apelido que extrapolou o meu nome foi um que meus professores de xadrez me deram, em 1999: o "novo Mequinho". Este apelido se refere ao campeão de xadrez nacional Mequinho, famoso por ser um grande campeão nos anos 70 e 80 no Brasil. O apelido Mequinho durou uns 4 anos, sendo substituído por "chessmaster" em parte do ensino médio.
Mas este apelido era só para quem me conhecia no xadrez. Na loja de jogos de cartas Magic que frequentava, fiquei conhecido como Token, um apelido dado a alguém que faz trocas de cartas com grande perda ou que tem dificuldades em jogar corretamente. Acho que fiz uma troca extremamente mal feita: uma carta de 30 reais por um deck (maço) de cartas comuns valendo menos de 5 reais. Sabe aquela brincadeira que se faz com crianças, se ela prefere uma moeda de 1 real ou 5 moedas de 5 centavos, e a criança sempre vai na quantidade por não saber o valor da moeda? Foi o mesmo que me ocorreu, mas com cartas de Magic. Desde então, era chamado de Token na loja. Um tolo, bobo, novato…
Estendi o apelido Token para o meu ensino médio, e alguns colegas me chamavam assim. No geral, não me importava, porque mesmo quem me chamava de Token não sabia que era, na verdade, um xingamento. Depois que saiu O Senhor dos Anéis no cinema, achavam que era Tolkien, mas nunca se referiu ao autor do livro. Fui chamado de Token por alguns amigos até 2012.
Depois, fiz uma carteirinha na biblioteca pública perto de casa, por volta de 2002. A atendente colocou como nome da carteirinha Felipebf, referindo-se às minhas iniciais (bf = Brasil Felicio). Eu gostei desse apelido e comecei a usar em todas as minhas contas de internet.
Em 2006, entrei em um fórum de videogames, o fórum NDS Brasil, e meu nick era Felipebf. Ali eu era conhecido como BF ou Felipebf por todos. Usei o fórum até 2014. E isto se manteve até hoje, mas hoje o apelido mudou…
Hoje, meu apelido entre alguns de meus amigos é BIFE, baseado no BF. É incrível saber que bife não tem, aparentemente, relação nenhuma com característica nenhuma minha. Mas deriva do BF que me foi dado pela bibliotecária do Farol do Saber, biblioteca pública do meu bairro.
Precisamos de apelidos? Não sei se precisamos, mas nomes formais são bem chatos. Ser chamado de Felipe e eu sou só mais um. Ser chamado de professor Felipe já me destaca com minha profissão junto ao nome.
Hoje eu tento fazer o meu "branding" de Professor Brasil. Assim, me destaco dos demais Felipes que venham a existir. Brasil é meu sobrenome, e eu gosto mais dele do que do Felicio. Fora que dá para fazer imagens com as cores do Brasil para maior associação ao nome.
No site Lichess, o link da minha conta é prof_felipebrasil; é uma nova forma de identificação com associação profissional. Alunos da escola onde eu lecionava ano passado me chamavam de Brasil. Sei lá, é um apelido que não é orgânico, não foi idealizado pelos outros, mas é uma forçação de barra minha. Diferente do Felipebf, que virou Bife naturalmente pela simplificação.
Fico pensando nessas mudanças todas e, no final, ser a mesma pessoa. Na realidade, não sou a mesma pessoa… Enquanto eu era o Mequinho, Token ou Felipebf, eu tinha uma espécie de função social, um círculo de amigos, um grupo de pessoas com quem me comunicava. A vida muda, os nomes mudam e, mesmo continuando a ser a mesma pessoa, os apelidos representam espaços acessados e ideias antigas. O Felipe Token não existe mais, o Felipebf hoje é Bife, e novos modos de ser chamado se originam na sua profissão e em novos grupos.
No final, tanto faz; quando morrer, serei lembrado por todos os meus apelidos e pelas transformações camaleônicas da minha vida.
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