Paraná: a melhor educação do Brasil (2025)

07/08/2026 Educação

SELO BEDA

Hoje saíram os resultados nacionais do Ideb 2025, avaliação padronizada que ocorre no Brasil inteiro para quantificar a qualidade do ensino nas escolas. O Paraná ficou em primeiro lugar, Curitiba liderou no Fundamental 1, e ultrapassamos o Ceará no Fundamental 2 e no Ensino Médio.

O que eu acho disso? Existem alguns problemas no cálculo e em atitudes tomadas pelo governo desde a pandemia que inflam esse valor.

Primeiro, inseriram aulas de reforço de Matemática e Português no currículo. Parece ótimo, mas a que custo? Substituíram aulas de História, Ciências, Geografia, Educação Física e Artes. Menos aulas dessas matérias "inúteis", certo? Reduziram a carga dessas disciplinas para focar nas únicas avaliadas no Ideb.

Outro ponto é a questão da evasão escolar e das reprovações. Até a pandemia, a taxa de reprovação média era de cerca de 7,5%. Hoje é de 1%. As pessoas ficaram mais inteligentes e tiram notas mais altas? Errado. O estado criou a recuperação da recuperação ao final dos três trimestres. Se um aluno tirar notas 3, 2 e 2, ele estaria reprovado. Porém, ao fazer uma prova ou atividade em uma semana, ele pode recuperar todo o trimestre. Não é a média entre a nota antiga e a recuperação: prevalece apenas a nota da recuperação. Isso se chama "Se Liga", a recuperação adicional que evita reprovações.

Se o aluno não recuperar no "Se Liga", no conselho de classe ele é empurrado para a série seguinte. Casos de reprovação são raríssimos, ocorrendo apenas se o estudante ficar pendurado em todas as matérias após todas as tentativas. O sistema o aprova sem o conhecimento necessário. Como professor, sei o que acontece nas reuniões pedagógicas de fechamento de ano.

E o que a redução da reprovação faz? A nota da prova e o fluxo escolar importam, pois são multiplicados no cálculo. Quanto menor a reprovação, maior a nota final, o que infla o resultado em alguns décimos: o suficiente para o Paraná ultrapassar o Ceará e para políticos comemorarem uma "vitória" sem nunca terem pisado em uma escola.

No final, é uma notícia bonita na TV, orgulho para o eleitorado de direita paranaense e marketing gratuito para o governador. Trata-se de uma propaganda baseada no decréscimo da qualidade do ensino em outras áreas.

Acho tudo isso muito triste. Atuo na educação pública do Paraná e, se o que temos hoje é um modelo, tenho pena dos outros estados. Tenho estudantes analfabetos funcionais no final do Ensino Médio e alunos que não sabem fazer uma divisão ou regra de três. Em minha escola, mais da metade dos alunos em sala estão nessa condição.

Achar que estamos bem com uma média 5,1 no Ensino Médio é uma vergonha. As provas não são extremamente complexas, enquanto as escolas particulares mantêm médias acima de 7. A solução é a maquiagem de dados? Se não, qual seria a real alternativa para um aumento efetivo da qualidade educacional?

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