Julho de 2026: após duas semanas de férias, as aulas retornaram.
Tivemos dois dias de estudo e planejamento, evento em que as pedagogas seguem cartilhas da Secretaria de Educação. Isto foi na quinta e na sexta-feira passadas.
Há retorno no estudo e planejamento? Duvido muito. Falam as mesmas coisas de sempre; vejo há quatro anos os mesmos temas, a mesma bobagem. Agora comandados por apresentações totalmente feitas por IA, um “desserviço” da Secretaria de Educação.
As apresentações são as de sempre; estão querendo ensinar o peixe a nadar. Nada do que vi foi novo: a mesma taxonomia de Bloom de sempre, as mesmas características, a mesma ideia absurda de que temos que ter uma abordagem individual… Eles só se esquecem de que os professores têm entre 350 e 400 alunos para fazer uma abordagem individual.
Algumas diretrizes da SEED são utópicas ao extremo. Eles realmente pegam um livro de teorias, vomitam-no por tudo e acreditam que o mundo ideal existe. Não… o tempo para eles não é um problema; dá para fazer tudo o que esperam em seis horas-atividade por semana. E o aluno é um santo, divino, maravilhoso aluno que participa, está interessado na educação e no seu desenvolvimento pessoal.
É uma grande ilusão, a teoria sendo despejada como se fosse a realidade, e os professores nem têm voz nessas apresentações. Quando alguém reclama das condições de trabalho e dos objetivos que querem alcançar, somos vistos como fracos. Aguenta aí as pedagogas no jogral de temas que elas nem vivem dentro de sala.
Dá tempo, sim, de alcançar tudo o que esperam. Se estivermos na Dinamarca com 15 alunos em sala, se estivermos em um mundo em que o estudante realmente estuda, se os pais se interessarem pelo processo educacional, se tivermos menos de 32 aulas semanais para dar…
Acho que dá, eu só nasci no país errado.
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