Pode parecer meio besta ficar programando a sua vida e os seus gastos, mas, para mim, faz todo o sentido.
Desde que comecei a planejar o que quero gastar e quanto devo guardar mensalmente ou anualmente para atingir certo objetivo, minha vida mudou. Iniciei essa rotina na pandemia de 2020, época em que programei a troca de um notebook (o meu, na época, era de 2018 e ainda tinha tela HD e SSD de 120 GB). Programei a troca para 2024, considerando 6 anos um tempo razoável de uso do aparelho. Lembro que, na época, queria juntar 6 mil reais e comprar um notebook gamer (que custaria esse valor em 2024).
Pois bem, programei-me, calculei a quantidade de dinheiro que deveria economizar e reservar para a compra. Criei uma caixinha de depósitos em CDB pagando 100% do CDI no Nubank para essa finalidade e, todo mês, colocava uma quantia reservada para esse fim.
Eis que, em setembro de 2023, apareceu-me uma oportunidade muito boa: um Lenovo ThinkPad Gen 3, Ryzen 3 5300U, 8 GB de RAM e 256 GB de SSD. E eu tinha o dinheiro guardado para a compra! Na realidade, eu estava pensando em juntar 6 mil reais, mas esse notebook me custou R$ 2.200,00, novo! Resolvi até dar uma turbinada nele e instalei mais um SSD e mais memória. Uso esse aparelho desde 2023 e ele me atende muito bem. O meu antigo ainda consegui vender por 1.000 reais. Então, mirei em 6 mil, economizei 7 mil (com a venda do meu usado) e gastei cerca de 3 mil. Ou seja, 4 mil reais suavemente guardados porque eu realmente aproveitei essa promoção da Lenovo, que estava fora do comum.
Desde esse sucesso com uma compra “cara” (sim, no meu padrão, considero qualquer coisa acima de 1.000 reais cara), resolvi fazer essas reservas para compras futuras. E, acredite ou não, é muito bom fazer isso. Principalmente pelo fato de que você passa a ter dinheiro guardado para aproveitar promoções, sem precisar retirar a quantia do seu fluxo mensal de gastos e movimentações. Está ali reservado, separado de tudo.
Hoje, penso em comprar um notebook potente no futuro, acredito que daqui a 8 anos. Verei se consigo estender o uso do meu hardware atual até os meus 45 anos de idade, pelo menos, antes de comprar coisas novas. Pois bem, quero adquirir um notebook que hoje é considerado de ponta. O modelo que desejo custa, atualmente, 8 salários mínimos. Calculo a compra com base em salários mínimos porque esse valor teoricamente se ajusta com o tempo e, em 8 anos, representará praticamente o mesmo poder de compra.
8 salários mínimos em 8 anos... significa que tenho que economizar ao menos 1 salário mínimo por ano. E sim, haverá os juros desse investimento; o valor que ultrapassar o preço do produto usarei para comprar algum periférico, um mouse, por exemplo.
E assim vou levando: guardo e deixo reservado mensalmente um doze avos de um salário mínimo. Vai que daqui a 6 ou 7 anos acontece uma promoção imbatível do produto que quero ter? Terei 6 ou 7 salários mínimos para pagar no ato, sem precisar fazer cálculos extras, retirar de outros investimentos ou mexer no meu fundo de reserva.
Só digo que tirar 14 ou 15 mil reais das finanças hoje para pagar à vista em um notebook é impraticável; faria um pequeno rombo nas minhas reservas. Agora, 120 a 130 reais por mês guardados é algo completamente possível.
Então é isso, fica a dica para compras caras. Além de você comprar à vista e com desconto, ainda pode ficar de olho em ofertas quando o prazo limite estimado para a compra estiver chegando. E sim, é menos estresse: aportes pequenos por um longo período e sem afetar o resto do seu dinheiro.
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