Hoje tive o dia do elefante. Mas o que seria isto?
Bom, para quem não me conhece, eu tenho uma doença psiquiátrica chamada transtorno afetivo bipolar, também conhecida como bipolaridade. Esta condição intercala períodos de depressão, períodos de dias normais e períodos de mania.
Sofri muito com o transtorno entre 2008 e 2014 e, na época, tive meses de depressão com uma condição de excesso de sono. Sim, eu dormia de 18 a 20h por dia, por semanas, neste período.
Hoje já estou medicado, o remédio funciona, mas ainda tenho estes apagões. Eu realmente apago, mas gosto de explicar de uma maneira mais fácil: a do elefante. Imagine acordar e ter um elefante pisando em você. Nada te faz levantar, seus pensamentos são todos voltados para este elefante, há uma negatividade no ar, mas principalmente um peso — um literal peso no corpo que te impede de realizar tudo e até mesmo de se mover.
Aconteceu comigo hoje: acordei, senti o dia do elefante, peguei o celular ao lado do travesseiro e mandei uma mensagem para o meu psiquiatra dizendo que precisaria de um atestado devido ao dia do apagão. Meu pai veio bater à porta para saber por que não tinha ido ao trabalho no horário. Falei que estava neste dia ruim e dormi.
Das 7h da manhã, voltei a acordar às 17h. Depois do apagão, tudo volta ao normal. Sorte. Antigamente tinha isto por semanas — semanas dormindo muito e ficando acordado só 3 ou 4 horas por dia. Bom, antigamente os sintomas de depressão, negatividade, desistência e suicídio vinham juntos. Hoje, ainda bem que só o cansaço domina.
Hoje as coisas estão melhores. O dia do elefante me aflige 3 ou 4 vezes ao ano. Mas quando ele vem, só posso dormir. Às vezes acordo só às 9h da noite; viro uma pedra na cama.
É como levar um petrify no Final Fantasy e a party não ter gold needle. É basicamente isto: uma paralisia total, e não consigo lutar contra. É terrível, mas hoje dou graças a Deus que só me ocorre esporadicamente. Dia de trabalho perdido, mas pelo menos acordo bem e isto não se prolonga.
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